Protocolo Dante – Segurança nas transmissões via rede em menos dispositivos

Protocolo Dante

redacao@backstage.com.br
Fotos: Ernani Matos / Divulgação

Falar em protocolo DANTE nos dias de hoje tem sido tão comum em grandes shows que até parece que ele sempre existiu. No entanto, a tecnologia começou ser comercializada por volta de 2006 e, para chegar ao patamar que a conhecemos hoje, foram necessários anos de pesquisa e aprimoramento pela Audinate.

Assim como os avanços nas telecomunicações, a tecnologia na área do áudio alcançou nos últimos 10 anos um nível inimaginável. E a empresa australiana Audinate foi uma das responsáveis por esse passo importante na melhoria da transmissão de dados via rede. Hoje presente em equipamentos de diversas empresas, entre elas Yamaha, Allen&Heath, Bosch Communications Systems, Harman, Extron, Shure, Lab.Gruppen, Peavey MediaMatrix, Allen & Heath, Midas, o protocolo DANTE (Digital Audio Network Through Ethernet) – uma combinação de software, hardware e protocolos de rede, entregam audio digital semcompressão, de multicanais e baixa latência, sobre uma rede padrão Ethernet.

Mas o que de tão revolucionário esse pacote trouxe para o dia a dia do técnico ou engenheiro de áudio? Para Andy Cooper, consultor de áudio da Yamaha Internacional, o principal ponto de diferença entre a antiga tecnologia e o protocolo Dante tem a ver com o número de canais e bandas. “No passado, os protocolos como CobraNet e EtherSound eram baseados na tecnologia de 100MB, o que significava que os dispositivos não poderiam usar mais do que 64 canais em 48kHz. Os protocolos mais recentes, incluindo o Dante, usam 1GB de infraestrutura, então o número de canais pulou para 500”, ressalta Cooper.

Outra vantagem com relação a esse protocolo é a possibilidade de dividir a rede de dados com outros dispositivos que não sejam de áudio. O Dante e outras redes de dados usam os já exisitentes protocolos e IT padrão, significando que os dispositivos de áudio podem dividir os mesmos switches e cabos de rede como equipamentos de escritório e outros apretechos, reduzindo a complexidade total do sistema e o custo.

Um terceiro ponto positivo é que os dispositivos podem usar a mesma rede para áudio e controle. Dessa forma, apenas um cabo se faz necessário por dispositivo para levar o áudio e o controle dos dados através de apenas uma conexão.

No entanto, a principal vantagem do Dante mesmo é sua facilidade de uso. De acordo com Cooper, essa é a única solução de áudio de rede dessa atual geração que tem um software para controlar e monitorar todos os dispositivos. “Chamamos simplesmente de “Dante Controller”. Este único app pode rotear o áudio para e desde qualquer dispositivo Dante, monitorar o status de cada dispositivo, e ainda ser usado como ‘solucionador de problemas’ da rede”, comenta.

Além disso, todos os dispositivos Dante que estão integrados na mesma rede se comunicam automaticamente, dispensando qualquer tipo de outro programa para que os equipamentos se comuniquem entre eles ou com o computador de controle. Outra vantagem é a variedade e quantidade de produtos que estão disponíveis que são compatíveis com o Dante. Existem hoje mais de 700 produtos diferentes no mercado usando o Dante.

A desvantagem é com relação à segurança, embora esteja sendo feito um upgrade do firmware a fim de resolver esse problema. O que acontece é que, pelo fato de os dispositivos Dante serem fáceis de controlar, uma rede sem segurança expõe o sistema a uma potencial sabotagem. Entretanto, a maioria dos comutadores tem mecanismos de segurança que podem ser programados para dar proteção. A Audinate também prometeu um melhoria nos dispositivos Dante, oferecendo a opção de segurança por meio de um código PIN.

No entanto, se pensarmos no fluxo de trabalho dessa tecnologia, poderemos ver que as vantagens se sobrepõem às desvantagens. Por exemplo, quando falamos em qualidade de áudio, latência e menor perda nas transmissões, é fato que o Dante oferece uma qualidade superior de áudio, maior até mesmo que AES/EBU, MADI e outros formatos digitais: o áudio pode ser transmitido com 32-bit de comprimento, permitindo até mesmo um range mais dinâmico.

Muitos dispositivos são compatíveis com o Dante a um sample rate de 96kHz, o que aumenta a frequência de resposta e reduz a latência do sistema. Um sistema completo de áudio em um show usando Dante é como se tivesse menor latência que um sistema de conexões analógicas.

Mas por que isso? Simplesmente, porque haverá menos conversões A/D e D/A, o que leva mais tempo que uma rede de transmissão Dante. “Deixar o sinal entre o stage box e o amplificador é o melhor a se fazer para conseguir baixa latência”, explica Cooper.

Alguns cuidados precisam ser tomados para evitar perdas nas transmissões. Em um sistema digital, perda de sinal pode acontecer de repente e totalmente. Nesse caso, pelo menos o software Dante Controller pode ser usado para monitorar a rede e emitir um aviso quando estiver chegando próximo ao limite. “As melhores dicas são usar cabos CAT5E ou CAT6 de cobre sólidos (ao invés daqueles trançados) para qualquer distância que seja maior que 20 metros, e nunca usar um cabo de cobre maior que 100 metros”, fala Andy. Comutadores com conexões de fibra ótica são as melhores soluções para evitar perda de transmissão a longas distâncias. Esses cabos de fibra ótica são resistentes a interferências eletromagnéticas, e também eliminam qualquer tipo de problema elétrico de aterramento.

Um típico problema em sistemas de som nos shows ao vivo – distribuir o áudio para muitos lugares distantes entre eles – pode ser bem solucionado com o Dante. Por exemplo, digamos que seja um local grande ao ar livre, onde seriam instaladas diversas caixas de som. Uma rede Dante pode ser usada para distribuir um pouco de canais de áudio para muitos locais. Usando fibra ótica, as distâncias podem ser em muitos metros de distância com um cabo pequeno e fácil de usar.

Outro problema que o Dante pode resolver facilmente é na hora de fazer um multicabo para gravação ao vivo com mais de 64 canais. Apenas um cartão Dante PCIe é capaz de trazer 128 canais de entrada e saída de um computador usando apenas um cabo de rede. E um segundo pode ser conectado para redundância. É um meio robusto, simples e de baixo custo. O Dante pode ser usado para levar muitos canais por meio de poucos dispositivos, e ao mesmo tempo pode ser usado para levar poucos canais para muitos dispositivos (centenas e mesmo milhares).

As rede começaram a serem usadas em eventos ao vivo antes do Dante se tornar popular. A EtherSound começou a ser usada em sistemas de médio porte mais ou menos no ano de 2005. No entanto, durante os últimos quatro anos, a popularidade do Dante vem crescido. “Estimo que mais de 40% de todos os consoles de mixagem profissional que custem mais de 5 mil dólares vendido durante esse ano incluem o Dante. E mais de 80% incluirá a possibilidade de fazer um update para o Dante”, comenta Cooper.

Onde seja necessário uma transmissão de áudio entre múltiplos dispositivos em tempo real, o Dante será bem-vindo. Para shows de música ao vivo e outros eventos ao vivo, como transmissão de esportes, o Dante é ideal para transportar muitos canais de áudio de um lugar para outro, por exemplo do palco para a house mix ou para a Unidade Móvel (UM). “E também é ideal para distribuir poucos canais de áudio para múltiplos destinos, como os racks de amplificadores posicionados ao redor de um estádio”, explica Cooper, acrescentando que também é ideal para ser usado em instalações para conectar salas de conferência, ou para música de fundo nos shoppings, dividir áudio em estúdios de gravação, e até mesmo compartilhar áudio entre lugares de show diferentes via um link de fibra”, enumera.

Nos equipamentos Yamaha, a tecnologia está disponível nos I/O boxes (stage boxes), nos consoles de mixagem de música ao vivo, sistemas de música e de pós-produção, processamento matrix, amplificadores e interfaces de áudio; todas incluem o Dante, que também está presente em outros equipamentos como microfones, sistemas de monitores, entre outros. “Uma das grandes atrações do Dante é a disponibilidade de diveros tamanhos de módulos: desde módulos pequenos de dois canais e de custo baixo até os grandes módulos com 256 canais. E todos podem usar o mesmo software para serem monitorados, controlados e roteados. Muitos fabricantes usam o mesmo módulo, garantido compatibilidade”, avalia Cooper.

Um dos mais novos produtos da Yamaha, o SWP1, é de longe o switche mais robusto que os demais e tem uma série de presets que são ideais para utilizar o Dante em eventos ao vivo. Ele foi desenvolvido para fazer com que a rede de áudio seja mais confiável, rápida e simples de gerenciar.

E o futuro? Será que ainda vem mais novidades por aí? Na avaliação de Cooper, deverá crescer o número de produtos usando o Dante. “Mesmo os sistemas de baixo custo estão começando a usar este protocolo, como a TF-series de mixers digitais. Virtualmente, qualquer PC tem a possibilidade de se tornar uma interface Dante, por meio do Dante Via software. Isso permite que qualquer aplicação de áudio ou cartão tenha interface com a rede Dante, permitindo múltiplos computadores compartilharem o áudio sem requerer um hardware especial”, ensina. Definitivamente, está terminando a “Era do Desconhecido”, promovendo mais confiança ao áudio profissional e provando que o Dante é confiável.

O advento do protocolo Dante esbarra com a história da Audinate, empresa australiana desenvolvedora da tecnologia. Em poucos anos, a companhia alterou o para sempre o áudio profissional, desde os sistemas de som ao vivo aos estúdios de gravação.

O início da empresa começou em Sydney, Australia, onde um pequeno grupo de engenheiros desenvolviamm novas tecnologias para o laboratório de pesquisa da Motorola, que fechou o local em 2003. Alguns membros desse grupo continuaram juntos, tendo o apoio do National Information and Communications Technology of Australia (NICTA), um instituto de pesquisas do governo cujo objetivo era fomentar tecnologia inovadora em benefício do crescimentoo da indústria na Australia.

Foi o co-fundador Aidan Williams e seu interessa pela música que provocou a direção da nova empresa. Constantemente conectado com seu synth a um mixer, a um cartão cabos MIDI e toda espécie de diferentes conexões, despertaram no engenheiro a ideia de integrar todas essas diferentes conexões em apenas uma simples rede. Essa visão como um profissional de TI forjaram o caminho da Audinate através de uma estrada nunca antes percorrida.

Em 2006, a NICTA enxergou um grande potencial nessa tecnologia e decidiu desligar a empresa do órgão, a fim de comercializar a novidade. David Myers, co-fundador e chefe de oferações da Audinate se juntou a William para formarem um time e a Audinate. Logo, esse novo grupo achou um admirador, o lendário Bruce Jackson, vice presidente da Dolby Labs’ Live Sound Division. Com o apoio de Jackson, a Dolby Lake Processor se tornou o primeiro equipamento profissional usar o Dante, fazendo sua estreia durante um show de Barbra Streisand, em Washington DC, em 2008. Logo em seguida, a empresa abriu se escritório nos EUA, em Portland, no estado do Oregon.

Três anos depois, a Audinate expande suas operações para a Europa, entrando em um período de crescimento, incluindo a participação em diversos grandes eventos, como os Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá, Apresentação do Papa durante a Jornada Mundial da Juventude de Sydney, e o Concerto pelo Jubileu da Rainha, em Londres. O Dante passou a ser usado em diversos estádio em todo o mundo.

Em 2012, a maioria das marcas de pro audio haviam adotado a tecnologia Dante nos seus produtos, incluindo a Yamaha Commercial Audio, a Bosch Communications Systems, a Harman, a Extron, a Shure, a Lab.Gruppen, a Peavey MediaMatrix, a Allen & Heath, a Symetrix, a Midas, entre outros.

No final de 2014, mais de 170 fabricantes fizeram parceria com a Audinate, catapultando a empresa para a posição de líder de mercado. A lista de aplicações do protocolo Dante continua crescendo, indo de instalações de sistemas a locais onde é exigido alta performance na transmissão de dados como no Centro Aquático Olímpico de Londres e shows ao vivo de grande porte. Em 2015, alpem de abrir seu primeiro escritório na Asia, em Hong Kong, a Audinate assina acordos de licenças com mais de 200 empresas, e o número de produtos contendo o Dante ultrapassa 620. Nesse mesmo ano, a Audinate lança o Dante Via software, aumentando a oportunidade de maior números de usuários adotarem o protocolo. O Dante Via também permite que seja criada uma rede entre múltiplos computadores.

 Backstage edição 260 – Julho de 2017
Para comprar esta edição, clique na imagem ou no link abaixo:

COMPRE ONLINE A EDIÇÃO IMPRESSA DA REVISTA BACKSTAGE 260

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s