Raven MTI-2: workstation a um custo mais baixo

Raven MTI-2

A Slate Pro Audio lança mais uma superfície de controle com tela sensível ao toque que promete acesso fácil às mais diversas workstations.

Um dia, o digital tomou conta da gravação. No outro, da edição de áudio. Mais adiante, os periféricos começaram a migrar dos racks para os HDs. Hoje, toda a cadeia de produção de áudio se dá inteiramente no domínio digital. É claro que, por conta do hábito ou da qualidade sonora oferecida, o analógico ainda seduz. Mas o fato é que, ao longo das últimas duas décadas, os equipamentos digitais já alcançaram uma qualidade que vai além do mero custo-benefício. O passo que a indústria do áudio digital promove agora é o da simplificação da operação. Como no restante do mundo digital, onde estão presentes em telefones, tablets e até em laptops e computadores desktop, as telas sensíveis ao toque se tornam mais usadas em equipamentos de áudio profissional dando acesso a cada vez mais funções. No entanto, ainda há algumas coisas a serem resolvidas antes de ganhar a confiança total dos profissionais.

Para o sound designer Damião Lopes, que tem no currículo o som de filmes como Betinho, a esperança equilibrista, o uso da tela sensível ainda não virou costume em sua rotina de trabalho e ele não se sente confortável com essa tecnologia. “Percebo um certo atraso na resposta dos comandos neste tipo de equipamento. Acho que com mais tempo de uso eu poderia me acostumar e me sentir mais à vontade. Mas no momento ainda sinto muita falta do hardware dos fades, principalmente”, explica.

Direcionado ao Pro Audio

Mas o fato é que o uso das telinhas é uma tendência. Por essas e outras, a indústria do áudio corre atrás da produção de novas soluções. A Slate, por exemplo, procurou pesquisar e produzir uma tela que atendesse às demandas específicas do áudio profissional. O primeiro passo foi identificar os problemas que as tecnologias já existentes de tela sensível ao toque poderiam ter, como uma ação muito lenta ou erros na percepção de profundidade da imagem dos comandos em relação ao dedo.

Damião Lopes

Para poder dar uma resposta adequada ao profissional de áudio, a empresa começou a construir as próprias telas. Um dos desenvolvimentos principais foi o vidro de superfície super fino, de 3 milímetros. A intenção é obter uma sensação tátil suave de forma que o operador do equipamento se preocupe apenas com o som. A barra de ferramentas multifunção também é outro implemento importante. O primeiro desses equipamentos foi o Raven MTX, com tela de 46 polegadas e uma seção de monitor analógica com várias possibilidades. Em 2015, a empresa lançou também o Raven MTi-2, com quase as mesmas funções e possibilidades e com tela de 27 polegadas, além de um custo mais baixo.

Frase 01

Compatibilidade

O software do Raven MTi-2 é o Raven 3.0. Ele é que abre as portas da compatibilidade com todas as workstations mais usadas no mercado. Ele permite o controle do Ableton Live, Cubase/Nuendo, Digital Performer, Logic Pro X, Pro Tools 10-12, e Studio One V3 no Mac. O acesso é para todas as funções: faders, pans, mutes, solos, mandadas, automações e inserts de plug-ins. O técnico de som também pode fazer configurações de mais de mil comandos por meio do Batch Commander, seja nos botões virtuais ou cliques no mouse. Com layouts diferentes para música, pós-produção e masterização, entre outros trabalhos, é possível criar mandadas de fone e alinhar pistas inteiras de bateria no grid, entre outras funções.

O Batch Commander já vem com 100 presets de fábrica, que funcionam para todas as DAWs com as quais o Raven é compatível. “Me chama atenção no equipamento a possibilidade de criar diversas automações simultâneas, sem precisar de uma controladora externa”, comemora Rogério Leão, que trabalha como manager e produtor musical na produtora de jingles e trilhas Sonido Antro, de Nova York.

Controles e facilidades de uso

Para Tomaz Sá, produtor musical, soundesigner do grupo de dança Primeiro Ato e técnico de monitor da banda Bartucada Diamantina, a ideia de rever a tecnologia de tela sensível ao toque é um grande passo. “Temos muitos problemas com a sensibilidade e atrito do touch screen quando precisamos rodar um knob, ou mesmo acertar um local específico no fader”, comenta.

O fader é uma peça chave na operação de qualquer tipo de superfície de controle de áudio. No MTX e no MTi ele é virtual, com 100 milímetros. Para proporcionar uma resposta que satisfaça as necessidades de uma boa operação de som, a Slate concebeu o modo Fine Fader, que quadruplica a resolução deles para proporcionar movimentos mais precisos nas automações.

No modo Toolbar, a barra de ferramentas fica diretamente ao alcance das mãos, na base da tela. Por meio dela é possível controlar funções para gravar loops, criar grupos, wave, click, undo, waveform zoom ou qualquer outra função que o usuário queira configurar na barra. “Chamou-me atenção a versatilidade de opções de uso que essa tecnologia oferece. Gosto muito de poder configurar a forma de trabalhar de várias maneiras. Também gostei muito do conceito de edição via toque, me parece bem mais ágil e tende a evitar movimentos repetitivos no mouse”, expõe Damião.

Há também a possibilidade de controle remoto do equipamento. O aplicativo Slate Remote é gratuito para usuários de equipamentos da Apple que utilizem o iOS, como o iPad, por exemplo. O aplicativo sincroniza o iPad e a Raven MTX via rede wifi, com acesso aos Batch Commands.

Monitoração

Esta é uma diferença importante entre o Raven MTX e o MTi-2. No primeiro, a parte de monitoração tem circuitos analógicos controlados digitalmente. Desta forma, aqueles barulhinhos de switches e knobs deixam de ser um problema e a referência do som que vem da workstation fica intocada, sem qualquer tipo de processamento digital. A seção de monitoração do MTX tem quatro saídas, múltiplas entradas, saídas de cue com oito canais para mixagens de fone pelos mixers e fones opcionais do equipamento, um módulo 7.1 para mixagem surround e masterização e conexões USB para conectar drivers externos e outros equipamentos.

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