Profissões do Backstage: Macgyver Zitto: Manager

Profissões do Backstage

Em mais uma entrevista da série sobre as profissões do backstage, tivemos o privilégio de conversar com um dos mais conhecidos produtores do setor de entretenimento, MacGyver Zitto. Ele vai contar um pouco sobre a função de Manager dentro do mercado de entretenimento e show business.

McGyver Zitto

Qual o verdadeiro nome do Macgyver, qual sua formação acadêmica e como você, além de produtor executivo, se tornou manager?

Macgyver Zitto vem das junções do meu sobrenome Zitto com a recorrente missão que me era atribuída de solucionar aquilo que ninguém conseguia resolver. As tarefas mais difíceis ficavam a meu cargo e até hoje nenhuma ficou sem resposta… “Missão dada, é missão cumprida”. Aqui é trabalho, meu filho! Minha formação é militar, venho de Colégio Militar, EPCAR (Escola Preparatória Para Cadetes do Ar)- Barbacena/MG, AFA (Academia da Força Aérea)-Pirassununga/SP. Sou graduado como engenheiro e tenho patente de capitão. Na minha família todos são médicos ou advogados. Então, anos depois me formei em Direito e também me tornei mais um advogado na família.

Após dar baixa na FAB, passei ao universo dos civis realizando uma pós-graduação na Europa (onde eu já vivia há quase cinco anos) e fui contratado por uma empresa de shows da Alemanha, responsável pelas tours de Madonna, Guns n’ Roses, Metallica, U2 e Michael Jackson (trabalhei com todos, mas com este último viajei o mundo durante um ano e meio na Dangerous Tour).

Após voltar ao Brasil e ter trabalhado com uma gama enorme de artistas nacionais e dirigindo festivais, em 2013 resolvi que poderia contribuir com tudo o que havia aprendido até então, porém do outro lado da mesa e com o desafio de ser empresário artístico (Manager) com o mesmo desempenho que tinha como produtor executivo ou diretor técnico.

O que faz um manager, quais as diferenças dessa função para o empresário, como costumamos chamar, e quais as atribuições relativas à função de manager de um artista/banda?

O Manager “É” o empresário, é o indivíduo que gerencia e direciona a carreira do artista, encontrando os melhores acordos, soluções e parcerias disponíveis no mercado com o intuito de minimizar custos e consequentemente maximizar os rendimentos com o melhor custo-benefício, valendo-se do seu network com fornecedores, parceiros comerciais em cada uma das praças de shows e sempre de olho no viés legal (jurídico) para atuar como o fiel da balança nas negociações nas quais estejam envolvidos. Digo estejam, pois o Manager moderno é sócio do artista e não deve expô-lo em excesso e nem promover atos ou ações impensadas que possam de qualquer forma diminuir o tempo de duração da carreira de seu artista.

McGyver Zitto e Roberto Carlos e Toni Garrido

Para você, que já entendia tudo de produção de eventos e shows, como é estar do “outro lado da força”?

É justamente implementar tudo aquilo que aprendi com os anos de estrada e colocar pra funcionar de forma a garantir o conforto e melhores condições de trabalho pra quem de verdade rala. Quem trabalha comigo sabe o quanto eu utilizo a política da reciprocidade: antes de estabelecer alguma condição àquele que irá prestar um determinado serviço ou parceria comercial, eu me coloco em seu lugar e reflito se eu aceitaria a minha própria proposta. Se a minha conclusão for SIM, farei a proposta. Simples assim.

Descreva um pouco do processo de divulgação de um novo produto ou banda no mercado, e qual a importância das mídias sociais para os novos artistas?

O processo evoluiu muito. Antigamente, TV, rádio, jornais e revistas eram as únicas possibilidades de massificar um novo produto (nome dado pela indústria fonográfica). Aliadas a estes veículos surgiram cartazes de rua e propaganda em outdoors, mas esse último modal era e é muito poluidor visual. Cartazes de rua e os outdoors foram banidos de alguns grandes centros e houve a necessidade de se partir para o busdoor (publicidade estática em veículos em movimento pela cidade) e painéis de LED espalhados pela cidade com capacidade de promover, em um único local, várias publicidades e de forma dinâmica (imagem em movimento). Com o advento da internet e a possibilidade infinita de maximizar a exposição de seu anúncio em caráter global em questão de segundos, a migração era natural. Hoje a prioridade é o emprego de esforços nas mídias sociais e empregar recursos nestes veículos ao mesmo tempo e aliados à TV, rádio e o mínimo de mídia impressa. A mídia digital invade todos os lugares vinte e quatro horas por dia e durante sete dias por semana.

Frase

Hoje em dia o que é mais importante para os artistas: venderem discos ou fazerem shows?

Ambos são importantes, são ações que devem ser concomitantes e não concorrentes. Porém não adianta fazer show se sua obra não puder ser encontrada nas prateleiras, ou ainda em lojas virtuais especializadas neste ramo de negócio.

Falando de Mercado, como está a atual situação do mercado de entretenimento com os revezes econômicos e como isso irá refletir nos shows internacionais já agendados ?

O impacto negativo nas relações de mercado são influenciadas diretamente pela saúde econômica pela qual atravessa uma localidade, um estado e um país… especialmente um com dimensões continentais como o nosso Brasil. Imagine ir fazer um show numa localidade onde tenha ocorrido uma calamidade pública (um deslizamento de terras)… Ninguém irá comparecer ao show, pois não há clima nem ambiente para uma celebração. Imagine um Estado que sofra com enchentes constantes; ir fazer um show lá seria um contra senso pelos mesmos motivos elencados anteriormente. Imagina ir fazer um show em um país que esteja atravessando um processo de insatisfação social em escala nacional contra o governo nacional. A possibilidade de insucesso é maior do que a de êxito, portanto estas situações adversas devem ser evitadas.

Com relação especificamente à situação econômica (poderia me alongar por dias falando, mas tentarei ser sucinto), imagine o seguinte quadro: você contrata determinado artista internacional para fazer um show num lugar capaz de comportar 2 mil pessoas. Você faz os estudos de viabilidade financeira e conclui que receita versus despesa lhe deixará um resultado “X”. Imagine ainda que sua receita não pode mudar, pois vendendo ingressos e alocando recursos de patrocínio sua arrecadação máxima é aquela e ponto final.

Você utiliza os recursos de patrocínio para custear as despesas locais de som, luz, vídeo, locação do espaço, geradores, staff, licenças e autorizações, catering e etc… (há muitos outros itens) e com os recursos oriundos da bilheteria (venda de ingressos), você vai amortizando os pagamentos com o artista internacional… se a economia vai mal, o cambio é o primeiro indicativo, e ao elevar (diminuição do valor do real frente à moeda estrangeira) acaba por reduzir seu poder de liquidação das obrigações pecuniárias.

Por exemplo, em 01 de janeiro de 2015, todos os 2 mil ingressos foram colocados à venda e a moeda norte americana valia R$2,00 (U$1,00), mas estes ingressos não foram todos vendidos e só venderam em sua totalidade em 01 de fevereiro de 2015, quando o câmbio era R$3,00 (U$1,00). Isso quer dizer que você precisaria de mais mil lugares para comprar a mesma quantidade de moeda para saldar a sua dívida. A solução é o promotor vender em lotes e os lotes de ingressos adquiridos próximo da realização do show serem mais caros, já que neste exemplo não há como elevar a capacidade do local do evento.

Como manager, faz parte das suas funções montar as equipes técnicas para os produtores com os quais você trabalha. Qual seria o perfil da equipe ideal?

Sim, esta é mais uma das atribuições que competem a esta função. Um dos predicados, além da competência, expertise, sociabilidade, é a capacidade de superar as adversidades sem ter ataques de perereca e nem estrelismo. Todos são pessoas iguais e com as suas responsabilidades, mas saber trabalhar em equipe é a maior virtude. Onde cada um faz o seu trabalho sem pisar no de ninguém e, uma vez concluída sua tarefa, buscar a informação do que pode fazer ou contribuir para ajudar o colega de trabalho, pois num futuro pode ser você quem precise de auxilio.

Uma equipe técnica experiente e afinada faz grande diferença na estrada para um artista que está começando?

Sem sombra de dúvidas. Quanto mais baile, melhor será a dança. Expertise e talento para desempenhar uma atividade recorrente em elevado grau de pressão emocional e em situações adversas são de fato predicados mais que bem-vindos, mas no início de carreira os recursos são angustos e profissionais desse calibre valem mais do que a verba que está disponível no início de carreira na maioria da vezes. Salvas as exceções de artistas que nascem em berço de ouro ou dispõem de um fundo investidor; fatos esses que são mais raros.

O que ainda falta a você para que se torne um profissional ainda melhor?

Certamente aprender ainda mais. Apesar de transitar neste meio há mais de 3 décadas, sou novo neste lado da mesa (como você mesmo postulou acima) e tenho corrido atrás para absorver tudo o que meus generosos amigos têm a disposição de me ensinar. Costumo dizer que eu sou um Zé Ruélas, mas meus amigos são os bam bam bans do pedaço. Venho de uma escola com pessoas com muita dignidade e que estão no mercado há muito tempo, tento me espelhar nestas estrelas do cenário do show business: Zé Fortes, Ricardo Chantilly, Simon Fuller, Christiane (Titi) Mascarenhas, Helber Oliveira e Fernando Furtado, entre outros, e em figuras icônicas na minha trajetória e que tenho como o Mestre dos Mestres Dody Sirena e Cicão Chies, com quem tenho a honra de trabalhar há mais de duas décadas.

Quais os seus planos para o futuro, onde pretende estar daqui a 10 anos, tanto no plano profissional quanto pessoal?

A ideia é expandir esse modelo de negócios e neste mesmo formato com um número ainda maior de artistas. Dentro de uma década, a expectativa é de que meus negócios já tenham iniciado o processo de transição e sucessão aos meus filhos e que eu esteja desacelerando o ritmo de trabalho.

Para finalizar, quais as dicas que você daria para aqueles que se interessam em se tornar um Manager?

A evolução no meio é constante e o aprendizado deve ser igual. Neste ramo, o dinamismo e a proatividade devem andar de mãos dadas e nunca devemos concluir que já sabemos tudo do mercado, pois ao imaginar que conhecemos todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas. Olhos abertos e ligados no seu entorno, pois a sorte grande pode bater à sua porta, enquanto você está buscando um possível trevo de quatro folhas no quintal.

www.facebook.com/Macgyver.Zitto

Este espaço é de responsabilidade da Comunidade Gigplace. Envie críticas ou sugestões para contato@gigplace.com.br ou redacao@backstage.com.br. E visite o site: http://gigplace.com.br.

Matéria publicada na Edição 245 da Revista Backstage. Abril 2015.

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