O Coração Rebelde de Madonna

foto_abertura

Abertura

De fora do roteiro brasileiro, a turnê “Rebel Heart”, da rainha do pop Madonna, chega ao fim após longa jornada de 82 shows. Desde sua estreia em 9 de setembro em Montreal, passou pela América do Norte, Europa, Ásia e terminou na Austrália, onde não se apresentava há 23 anos.

palco

Ao assistir a turnê e conhecer um pouco que seja dos bastidores, você entende porque ela está tanto tempo no topo. Cercada dos melhores profissionais, com um comprometimento artístico inigualável e envolvimento em todo e qualquer detalhe da produção, não dispensando de forma alguma as passagens de som, Madonna se firma como grande megastar e entertainer, levando ao público não apenas um show convencional, mas uma produção teatral com a qualidade que milhões de pessoas já puderam conferir ao vivo.

frase_001

O Audio

Na ‘front of house’, Madonna optou por usar duas mesas DiGiCo SD7, operadas pelos engenheiros de monitores Sean Spuehler and Matt Napier. Este último também técnico de sua turnê anterior MDNA, com passagem pelo Brasil.

Sean Spuehler, engenheiro de mixagem vocal, trabalha com Madonna desde 2004 e conta em entrevista para a Universidade Full Sail, onde se formou: “Neste mesmo ano, em sua turnê Re-Invention Tour, ela pôs o console de monitor bem ao centro e em frente ao palco, o que é um lugar nada usual e queria me olhar o tempo todo quando precisasse de algo, o que era intenso e se comunicava comigo através de mensagens enviadas pelo seu maquiador ou cabeleireiro me dizendo ‘meu vocal está muito alto’, ‘aumenta a guitarra’.”

Ela consegue essa perfeição sonora com o engenheiro da FOH Andy Meyer e os engenheiros de monitor Matt Napier e Sean Spueher. Na turnê, ambos Meyer e Napier usam os SD7 com o console de Napier usando uma expansão fader EX 007, onde Spuehler mistura os vocais de Madonna com efeitos.

Sean e Matt

Sean Spuehler e Matt Napier na frente dos monitores DiGiCo SD7″

Madonna gosta que seu som ao vivo seja o mais próximo do album”, diz Napier. “Para conseguir isso, Sean concentra-se em misturar seus efeitos e atrasos vocais, que são integrados no console da FOH – o que pelo menos em teoria, o público ouve exatamente o mesmo som vocal que ela faz.”

“Cada turnê de Madonna tem seus aspectos únicos”, Napier continua. Neste ela usa PAs de 34 metros. “É a primeira vez que faço um show usando timecode. O que tenho feito em parte para atenuar esta situação. Tendo várias snapshots por música, todas disparadas automaticamente através do timecode, fico livre para me concentrar nos aspectos de mixagem que eu preciso para ajustar e compensar o efeito do seu movimento ao longo da passarela.”

“Ensaiamos para os shows de Madonna por um bom tempo. Foram 112 dias para essa turnê. O tempo me permitiu automatizar os constantes e a focar as variáveis. O timecode tem sido realmente muito útil quando temos um problema ocasional inevitável, porque permite que eu me foque naquilo e não me preocupe muito em perder a deixa”

Junto com Madonna, são 4 músicos no palco, mais duas backing vocals (Nicki Richards & Kiley Dean) e 20 dançarinos. Todos os músicos usam monitores in-ear, com monitoramento adicional para o diretor musical / tecladista Kevin Antunes, um batedor para o baterista Brian Frasier-Moore e sidefills para os dançarinos. O grupo vocal de Sean é colocado ao lado da SD7 de Matt, onde ele adiciona o mix da música em seus monitores bem como administra os outros músicos. Ao todo, o monitor SD7 é configurado com 118 entradas, 19 auxiliares mono, 22 auxiliares estéreo, seis grupos estéreos, 4 grupos mono, 10 matrizes outputs e 12 grupos de controle.

“Madonna sempre gosta de fazer um grande show e a produção desta turnê é realmente dinâmica”, diz Matt. “Em termos de produção técnica, tem nos testado, mas nunca de modo ruim e sempre nos mantendo com os pés no chão”

As DiGiCo SD7s têm ajudado a garantir que o público em todo o mundo desfrute shows que soem realmente impressionantes, mesmo que para eles pareça simples e sem remendos.

O Palco

Os especialistas em cenografia da Tait Towers fabricaram todos os elementos de palco e equipamentos automatizados para o show, bem como todos os suportes.

Brian Levine, chefe de gerenciamento de projetos da Tait Towers comenta: “Por conta da agenda apertada e do longo período de ensaio, nós construímos o dobro de tudo, o que significa que fabricamos uma simulação de cada elemento do show para permitir que os ensaios começassem enquanto a versão definitiva de cada elemento do show fosse fabricada. O desafio foi tomar muitas decisões sobre tamanhos e escalas de cada acessório da simulação, o que nos obrigaria a corresponder às restrições para as versões do show”.

estrutura_palco

Embora a Tait tenha sido a responsável pela construção dos elementos do palco, a empresa de longa data Stufish, foi contratada pessoalmente por Madonna para desenhar o palco e elementos cênicos.

frase_02

O imenso palco foi montado ao final de cada arena, com uma longa passarela que se estende até metade do espaço. No meio da passarela há um palco circular giratório, e na outra extremidade um palco em forma de coração. Para que Madonna e seus dançarinos apareçam em qualquer lugar do palco, há aberturas ao longo do comprimento da passarela, bem como alçapões para que eles desapareçam por baixo do palco ao final de cada música. Nos fundos do palco principal, há três grandes telas de vídeo e na sua frente a banda, junto com duas backing vocals de Madonna.

palco_giratorio

Palco circular giratório no centro da passarela enquanto Madonna canta seu hit “Holiday”

Uma das peças mais marcantes de engenharia no show era uma tela de vídeo de alta definição de 8,5 x 4,8 metros de largura, montada pela Tait, intercambiável do palco para o chão e também usada como plataforma elevada ou parede vertical que podia ser inclinada até 90 graus em 30 segundos ou usada como parede angular para os dançarinos de Madonna dançarem. Foram criados pontos especialmente anexados à borda superior da máquina, permitindo que os artistas escorregassem, corressem e rolassem para cima e para baixo da rampa. Eles também foram capazes de se pendurar embaixo das telas que funcionavam como paredes, e também de correr para cima delas na mesma posição. O equipamento era carinhosamente chamado de “A Máquina”.

A Máquina

Apelidada de “A Máquina”, a tela gigantesca se inclinava até 90 graus em 30 segundos

O arquiteto de projetos da Stufish Entertainment Architects, Ric Lipson, acrescenta:

“Trabalhamos com a Tait para que eles peguem o nosso design e informação criativa e transforme em módulos que se encaixem nos padrões deles, e sendo necessária uma nova solução, trabalhamos juntos para criar um sistema desenvolvido pela Tait que possa ser montado rápido e caber nos caminhões”

“Em um show como esse, Madonna fica completamente envolvida. Pegamos as ideias conceituais dela e do diretor, Jamie King, e trabalhamos com eles para decidir como isso ou aquilo ficará na forma física do palco, as áreas para o vídeo, quais tipos de acessórios cinéticos o palco irá precisar e quais acessórios deverão ser menores e mais delicados. Desenvolvemos nossos designs junto com o designer de luz e vídeo para ter certeza que os elementos de luz, cenário e vídeo trabalhem juntos e possam complementar o design e a forma visual do espetáculo”, comenta Lipson.

A Iluminação

O Lighting Designer da turnê, Al Gurdon explica que foram utilizados followspots para o rosto de Madonna, o que foi um trabalho de precisão. Não importava onde estivesse a equipe técnica, os spots estavam sempre no mesmo lugar no palco e no mesmo nível. As temperaturas de cor foram medidas e combinadas para cada show, enquanto que a uniformidade e intensidade da cor foram parte vital do trabalho. “Madonna precisa estar perfeitamente iluminada onde quer que ela vá. O desafio é que ela é cercada de pessoas que também precisam estar iluminadas de um modo diferente, o que torna o processo extremamente complicado, provavelmente mais do que qualquer show desse tipo. Cada show é como produzir um DVD”, explica Gurdon.

O diretor de iluminação da turnê, Josh Hutchings teve a tarefa de recriar o design de Gurdon em cada venue de seus dois consoles PRG V676: “Tem sido um grande prazer. Há centenas de posições de foco e cada uma tem q estar em seu lugar marcado. Certamente não é a típica posição padrão de 20 focos”

Hutchings explica que a aparência do show é teatral, ao oposto de um grande show pop: “Tivemos nossos desafios. Cada venue é diferente e tivemos que lidar com problemas de altura. Minha tarefa era proteger o show e ainda manter a integridade do design. Madonna percebe praticamente tudo. Você não vai encontrar ninguém que trabalhe mais que ela. Eu a encontrava todos os dias antes da passagem de som, para ter certeza de que ela ficaria confortável com qualquer mudança que eu tivesse que fazer. Nós caminhava-mos com ela por todos os locais abrangentes dos followspots para que não houvessem surpresas durante a performance”.

“Havia uma pequena equipe de pessoas que olhavam para o monitor da câmera para se assegurar que Madonna estava sendo corretamente iluminada a cada noite”, diz Lipson.

“Al Gurdon sabe exatamente como fazer os artistas parecerem maravilhosos em cada escala, seja em um ambiente ao vivo, como em um olhar particular para a câmera”.

Lipson trabalhou com Gurdon na turnê anterior de Madonna, MDNA e já têm um bom relacionamento de trabalho.

O conteúdo de vídeo também absorve a maior parte da turnê com uma setlist eclética de 25 canções entre antigas e alguns novos hits, a maioria com um dos 22 vídeos de fundo criados pela empresas Moment Factory, Veneno Inc, Danny Tull e uma série de diretores de vídeo adicionais. Nesta turnê específicamente Madonna incentivou seus fãs a enviarem desenhos e montagens com sua imagem e muitas foram exibidas nos telões, durante a música que leva o nome da turnê, Rebel Heart.

Fotos: Divulgação / Brendan Saints / Tait Towers / Stufish / Fohonline.com / Madonna.com / Reprodução Internet

Tradução e edição de textos: Leonardo Carneiro Costa

Fontes: http://www.fohonline.com

http://www.tpimagazine.com/

https://youtu.be/FUY6q3Cla10 (Full Sail University – Entrevista com Sean Spuehler)

http://everything.explained.today/Rebel_Heart_Tour/

http://www.madonna.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s