Iluminação Cênica: Rock in Rio 2015

Cezar Galhart

Na celebração de 30 anos de um dos maiores e mais importantes festivais de música do mundo, o Rock In Rio, dezenas de bandas e artistas integraram um line-up espetacular: de Katy Perry ao Queen, o evento foi realizado em sete datas na “Cidade do Rock”, para públicos, sonoridades e propostas totalmente diferentes, enaltecendo linguagens e estilos, com diversificação e versatilidade.

Rock in Rio 2015

Figura 1: Palco Mundo – Rock In Rio 2015 / Fonte: Reduto do Rock / Divulgação

Nesse contexto, shows únicos, além de outros que fizeram do evento uma data estratégica para turnês em curso ou oportunidade última para uma despedida dos palcos. Nessa conversa, o Palco Mundo do Rock In Rio 2015 será o tema de análise para detalhes e imagens que perpetuarão nas mentes dos espectadores e na história desse que já é um dos mais significativos eventos de todos os tempos. Após três décadas, ainda ecoam as sonoridades de bandas e artistas que fizeram parte de uma iniciativa arrojada para um festival internacional de música, realizado na cidade do Rio de Janeiro na metade da década de 1980. Além do saudosismo e das lembranças que aquele evento ainda repercute, ideias e inovações se transformaram em referências para a transformação que ocorreria na produção de shows desde então.

Figura2-3

Figuras 2-3: Apresentação da banda inglesa Queen no Rock In Rio 2015

Fontes: I Hate Flash / Divulgação / Rolling Stone Brasil; Cezar Galhart / Divulgação

Se o palco principal recebia a estrutura de iluminação projetada por Jimmy Barnett para a banda inglesa Queen – e que fazia parte da turnê The Works (1984) -, caberia ao brilhante Lighting Designer Peter Gasper desenvolver toda a iluminação do evento e, mais que isso, ter a inovadora ideia de iluminar o público – e mostrar para os artistas, literalmente, a dimensão (de pessoas) que o evento teria – tendo, na estreia, aproximadamente 400 mil pessoas.

Na atual edição, o público “diminuiu” em relação àquele número e também à edição anterior (foram disponibilizados 85 mil ingressos para a comercialização e patrocinadores; em 2013, foram 100 mil ingressos). Quanto ao palco principal – Palco Mundo -, as dimensões aumentaram muito desde 1985, e nas últimas edições, são invejáveis: estrutura com 25 metros de altura e 86 metros de frente, sendo 24 metros somente para a boca de cena.

Figura 4-5

Figura 4-5: Apresentação da banda americana Mötley Crüe no Rock In Rio 2015

Fontes: Luciano Oliveira/G1; Cezar Galhart / Divulgação

Nesse contexto, o projeto de iluminação contou com estruturas móveis e flexíveis para o atendimento das mais de 20 atrações que se apresentaram em sete datas, de 18 a 27 de setembro deste ano. Não se pode omitir também a impressionante estrutura de iluminação, com aproximadamente 100 moving lights fixados na parte externa – cujo projeto, com linhas desconstrutivistas, foi assinado pelo arquiteto João Uchôa.

Na primeira noite, após o término da apresentação da banda americana One Republic, todos os olhos e ouvidos se direcionavam ao Palco Mundo, para uma apresentação histórica e com um teor emocional incomparável. Caberia ao Lighting Designer Rob Sinclair a missão de superar as expectativas de milhares de fãs que esperavam pela lendária banda inglesa Queen, com dois integrantes da formação clássica – Brian May na guitarra, violão de 12 cordas e vocais, e Roger Taylor, na bateria e vocais – acompanhados por uma banda extremamente competente e com os vocais do competentíssimo Adam Lambert.

Queen

Apresentação: Queen + Adam Lambert / Foto: Fábio Tito (G1)

Nesse show “tributo”, a banda Queen trouxe uma estrutura singular: em formato de “Q”, um sistema de luzes com vídeo que projeta fachos e feixes de luz além de imagens, com intensidade e dinâmicas impressionantes.

Muitos foram os momentos marcantes desta histórica apresentação, que consegue conciliar elementos das grandes produções da década de 1980 aos mais aclamados espetáculos da Broadway, mas, particularmente, em relação à iluminação cênica, uma parte do show causou um impacto insuperável. Uma explosão cósmica formada por 29 lasers que proporcionaram um cenário espetacular para o solo desacompanhado de Brian May – de fato, acompanhado pela iluminação, com linhas suaves e em movimentos cadenciados, fornecendo as texturas e camadas que envolveram todos os espectadores. Para esse efeito, Sinclair escolheu os sistemas da empresa inglesa ER Productions, formados por Beam Burst RGB.

Figura 6-7

Figuras 6-7: Apresentação de Sir Elton John no Rock In Rio 2015

Fontes: UOL; Cezar Galhart / Divulgação

No dia seguinte, no sábado, importantes shows marcaram aquele 19 de setembro. Para a banda americana Metallica já foi realizada uma matéria sobre a turnê By Request (Ride de Light(n)ing, na edição 234, de maio de 2014). Para outra banda determinada a encerrar definitivamente as apresentações na véspera do Réveillon do próximo ano, ao grupo americano Mötley Crüe surpreendeu, com muitos efeitos e muita energia. Matt Mills é o responsável pela programação e direção de iluminação das derradeiras apresentações – sendo Sooner Routhier a Lighting Designer responsável pelo conceito da Final Tour. Uma equipe técnica também assessora as estruturas para os efeitos pirotécnicos – labaredas lançadas em diversos momentos da apresentação. Em alguns momentos, apenas as luzes das chamas propiciavam a iluminação do palco, com a consequente projeção de sombras dos músicos, em condições primárias similares às primeiras experiências do homem e o contato com as mais rudimentares manifestações da iluminação artificial: a produção do fogo.

Figura 8

Figura 8: Apresentação da banda americana Slipknot no Rock In Rio 2015

Fonte: Roque Reverso / Divulgação

Para a terceira noite, reencontros da história do festival com alguns dos mais iconográficos e representativos nomes que já fizeram parte do evento. Após três décadas, Os Paralamas do Sucesso fizeram um show memorável, com uma cronologia interativa que reuniu canções e referências (texturas, cores e dinâmicas) a toda a trajetória musical e de shows da banda (muitos deles, iluminados pelo Lighting Designer Marcos Olívio). Além deles, a noite ainda teria Seal e Rod Stewart, encerrando a programação. Mas seria com Sir Elton John que a iluminação teria momentos especiais. Projeto do renomado Lighting Designer Patrick Woodroffe, no show de aproximadamente uma hora a meia, texturas suaves, acompanhadas por animações e imagens captadas do palco e do público, forneceram as condições ideais para um repertório repleto de clássicos das décadas de 1970 e 1980, algumas integrantes da trilha sonora das vidas de gerações.

Para finalizar essa análise de alguns dos mais fascinantes shows do Rock in Rio 2015, seria na sexta-feira (dia 25) um dos mais aguardados momentos do evento. A banda americana Slipknot, formada por nove integrantes que utilizam recursos cenográficos inusitados e trajes macabros, ao mesmo tempo em que proporcionavam interações cênicas muito interessantes, idealizados pelo lighting designer Trevor Ahlstrand, forneciam roteiros imprevisíveis para as intervenções da iluminação. Traves posicionadas em alturas diferentes proporcionam resultados assimétricos e aleatórios, sem repetições e com intensidades variáveis. As canções – repletas de síncopes e marcações fortes e pesadas – são acompanhadas por estrobos, que oferecem os flashes necessários para as impressões hipnóticas e brutais.

Em um festival tão complexo – em todos os aspectos citados no início desta conversa – outros shows se destacaram, mas que serão abordados com outros detalhes no Blog da Revista Backstage. Afinal, poucos festivais conseguem oferecer tantas opções de shows, tão sensacionais, que conseguiram divertir, sensibilizar, emocionar e causar tantas impressões – e percepções.

Abraços e até a próxima conversa!

Para saber mais:

redacao@backstage.com.br

Matéria publicada na revista Backstage edição 252 – Novembro de 2015

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